Dia-a-dia

Praxe: tradição? Ou abuso de poder disfarçado?

Para os mais desatentos, estamos na fase da Queima das Fitas de Lisboa. Significa que é a última semana em que os chamados “veteranos” tiveram a sua última possibilidade de praxe aos alunos do 1º ano. Após o “traçar da capa” pela primeira vez, os alunos de primeiro ano deixam de ser caloiros e passam a existir na comunidade académica de forma diferente. E perguntam-me porque venho trazer este assunto?

Bem… Desde 1999, o ano em que fui caloira, que já passei por diferentes faculdades e diferentes formas de encarar a chamada tradição académica. Nunca fui adepta de praxe, no sentido da humilhação física e psicológica, do abuso de poder de “veteranos” quem têm mais de 10 matrículas numa instituição do ensino superior e ainda nem a meio do curso vão… Acho que a integração dos caloiros no seio de um curso e de uma faculdade pode e deve ser feito, mas sem recurso a uma praxe que marque para sempre da pior maneira. Ou que leve a fazer coisas que é contra a sua vontade, apenas motivados pela necessidade de aceitação e de pertença a um grupo.

Esta semana, ao entrar numa faculdade de Lisboa, assisti a um conjunto de situações envolvendo “veteranos” e alunos do 1º ano. Muita gritaria, muitas cabeças baixas a olhar o chão e muita expressão de um poder que não faz sentido. Vi rostos que de alegria nada tinham. Ouvi gritar “sim, senhor mestre” a miúdos que nem a licenciatura têm. Vi saias curtas do tamanho de cintos quando isso é tudo contra a forma de usar o traje académico. Vi olhares abusivos de “veteranos” para alunas do 1º ano… E vejo que nada disto é a forma correcta de se viver a passagem pela faculdade.

Sim, trajei. Mas nunca me embrenhei no mundo da praxe. Sempre me fez confusão os insultos, a humilhação e a forma errada de entrar numa faculdade que muito se fomenta por aí… Acho ridículo que as direcções das faculdades fechem os olhos a estas situações. O início da vida na faculdade nunca deveria ser sinónimo de humilhação, de se ser obrigado a fazer coisas que não se quer ou a ter de fazer determinados favores para se ser aceite no grupo. Isto não é ser aluno do ensino superior…

Questiono-me se algum dia este tipo de praxe, de opressão e de abuso de poder irá deixar de existir… Um desabafo de quem olha para os mais jovens e as suas atitudes e fica intrigada sobre determinados comportamentos… E vocês? O que acham da praxe e de toda a tradição académica?

 

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