Mom descomplicada

Sete meses depois…

27 de Março de 2019. Faz hoje sete meses que passei por um aborto médico. Duas tomas de comprimidos que me trouxeram para a realidade da perda gestacional e em que passei a fazer parte das estatísticos no nosso país. E, curiosamente, 27 de Março de 2019 era a data prevista para o parto de uma gravidez desejada…

Quando passou um mês da minha perda, escrevi sobre a dificuldade que qualquer mulher que passa por isto tem em compreender comentários como “vais engravidar num instante!“. Sete meses passados, continuo a não compreender a necessidade que as pessoas vêem em nós de engravidarmos rapidamente depois de termos passado por uma perda. Parece que engravidar novamente é a solução para tudo. Para a nossa dor, para o nosso sentimento de impotência, para a nossa solidão… Os últimos meses foram um turbilhão de sentimentos e de questões na minha cabeça. Mais nos primeiros meses e nas primeiras semanas… Agora menos… Mas ainda continuo a pensar, em alguns momentos, porque foi o que isto tudo nos aconteceu?! No início do ano, soube da história de uma colega de trabalho que perdeu o seu bebé ás 35 semanas… Impossível não ter pensado no que teria sentido se a minha perda tivesse acontecido numa fase tão avançada da gravidez… Meu Deus!

Os dias 27 terão sempre este sabor um pouco amargo para mim… Serão sempre o dia em que tudo terminou e em que tudo poderia ter começado… Não pensem que vos escrevo estas palavras do fundo de um poço. De uma estrada sem rumo… Nada a ver. A vida segue em frente e prefiro pensar que se aconteceu desta forma, foi o melhor para nós. Uma perda gestacional ou neonatal será sempre carregada de muita dor e ficará para sempre na nossa memória. Mas tendo outro filho era impossível ficar “presa” nesta perda e não me focar nele… Tem sido este pequeno ser de quase três anos que me tem dado a energia suficiente para seguir em frente. Tem sido o meu marido, meu grande pilar, que me tem mostrado a importância de olhar e cuidar de mim… Porque sem eu estar bem, eles os dois não estão bem.

Passam hoje sete meses… Hoje poderia ser um dia diferente… Mas cabe-me celebrar a vida recordando sempre as minhas duas estrelinhas que brilham bem forte no céu!

 

Obrigada por terem existindo, ainda que por pouco tempo, dentro de mim…

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