Maternidade

Happy Zippy: Nunca uma campanha feliz trouxe tanta energia negativa!

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Imagem da campanha Happy da Zippy

Happy Zippy. Duas palavras que nunca pensámos que pudessem estar ligadas a controvérsia, ódios sob a forma de comentários nas redes sociais e preconceitos à flor da pele. Para esta primavera, a Zippy, marca portuguesa de roupa para criança, lançou a colecção Happy. Sobre esta colecção cápsula podemos ler:

BE WHOEVER YOU WANT TO BE

Nesta cápsula, as cores assumem total protagonismo. Cada cor procura representar uma personalidade e cada peça a capacidade de celebrar e agregar cada uma delas, reforçando o conceito de togetherness. HAPPY é a materialização da felicidade, que acreditamos que se consegue quando rompemos com ideias pré-concebidas e com o tradicional, explorando novos caminhos e tendo coragem de vestir o nosso próprio “eu” todos os dias.

Happy surge como a primeira colecção sem género da marca portuguesa e já está a causar bastante sururu. E querem saber porquê? Ora espreitem lá a imagem seguinte…

Aquilo que, à primeira vista, parece apenas uma junção de três cores que nos transmitem alegria e felicidade… Para muitas pessoas, é uma clara alusão ao símbolo do movimento LGBT. Por essa internet fora, os comentários depreciativos à Zippy são dos mais variados. Puro ódio a ser destilado contra uma marca portuguesa, que inova sempre em cada colecção, e que nos permite vestir os mais pequenos com roupas engraçadas e de qualidade a preços bem simpáticos. Em várias partilhas que li desde ontem, os comentários são variados… Desde dizer que a Zippy está a usar um símbolo da comunidade gay e que está a instigar as crianças a serem gays (como se a orientação sexual fosse uma coisa de modas…). Desde mães muito certinhas e correctas e que dizem que vão deixar de comprar roupa desta marca apenas por causa da utilização do arco-íris… Bem… Duas perguntas aqui se impõem… Desde quando o amarelo, laranja e vermelho são um arco-íris? E onde fica a associação do arco-íris com o duende e o pote de ouro no meio desta histórias toda?! Continuo a achar que a parte do duende é sempre mais engraçada…

Muito sinceramente, os comentários que li apenas me soaram a falsos moralismos e a um preconceito atroz em relação a quem tem uma orientação sexual diferente da pessoa que escreveu o comentário no mural da Zippy a enxovalhar a marca. Quer-me a mim parecer que todas aquelas mães que destilaram veneno em relação a uma marca que até gostavam… Não devem deixar as suas filhas vestirem collants de rede com 10 ou 12 anos, não as devem deixar ir maquilhadas para a escola com 7 anos nem devem perder horas à espera das suas filhas de 10 anos enquanto elas fazem madeixas e unhas de gel…

Pois… É que assusta-me esta sociedade que deturpa o verdadeiro objectivo de uma campanha, roupas bem dispostas e quebrando o laço com o tradicionalismo do “azul para menino e rosa para menina”, e depois impedem crianças de serem crianças, proporcionando-lhes o acesso a roupas, acessórios, maquilhagem, actividades e informação a que apenas adultos deveriam ter acesso. A Happy Zippy é, para mim, uma lufada de ar fresco no mercado da roupa para crianças e fico feliz por uma marca desta dimensão ter pensado num conceito cápsula deste género.

Fico deveras preocupada com estes adultos que estão a educar as crianças num ambiente de preconceito e de falta de tolerância. Num ambiente em que elas não podem ser crianças nem brincar livremente, seguindo o seu ritmo e os seus gostos. Preocupam-me estes adultos que conseguem canalizar tanta energia para denegrir a imagem de uma marca e não capazes de utilizar a mesma energia para combater a violência física e sexual a que se assiste nos jovens de hoje. Preocupam-me estes adultos que não fazem triagem dos conteúdos a que os seus filhos têm acesso, na internet e na televisão, mas que depois acham que três riscas vão transformar os seus filhos em gays ou lésbicas. Estes são os adultos que, muito provavelmente, vão buscar os filhos à escola e dizem, em relação a um colega do filho que possa ter umas maneiras diferentes, “olha-me aquele paneleiro, filho!”.

Meus queridos pais e mães, a Zippy escrever, na descrição desta colecção, “tendo a coragem de vestir o seu próprio “eu”“, não significa que esteja a dizer aos seus filhos para gostarem de raparigas ou de rapazes. Não leiam tudo de forma tão literal… Vocês que aderem a grupos de educação e pedagogias alternativas no Facebook, que procuram o colégio da pedagogia da moda e estão dispostos a pagar verdadeiras fortunas para colocar os vossos filhos lá… Lembrem-se que o trabalho e a educação começam em casa… E a tolerância e o respeito também. Não é nos bancos de escola que se aprende. Os nossos filhos aprendem pela imitação. Pais intolerantes irão ter filhos intolerantes se nada for feito. Não permitam que os vossos filhos cresçam num mundo de intolerância e de falta de respeito. Sejam superiores a isso. E, acima de tudo, sejam superiores ao espírito de manada que surge nas redes sociais e não atirem para a lama o nome de uma marca portuguesa.

Agora, haters… Podem encher a caixa de comentários…

 

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2 Comments

    • momdescomplicada

      É mesmo isso! Mas que estupidez esta forma de estar preconceituosa e que mania de ver coisas onde elas não existem… Sabem o que eu acho? Gente que não deve ter mesmo mais nada que fazer! A Zippy é que agradece toda a publicidade pois deve estar a ter muita mais pessoas a irem às lojas… eheheh

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