Maternidade

Empatia: o palavrão que deveríamos dizer todos os dias!

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Quantos de nós pincelamos os nossos dias com empatia? Quantos de nós nos preocupamos com quem nos rodeia e com as suas emoções Quantos de nós sorrimos para as pessoas com quem nos cruzamos sem esperarmos nada em troca?

Por estes dias, estou a ler o livro “Pais à Maneira Dinamarquesa”. Diz-se que o povo dinamarquês é um dos mais felizes do mundo e que isso transparece na forma como educam os seus filhos. Como em tudo nas nossas sociedades, a forma como transmitimos valores aos nossos filhos e lhes passamos a mensagem que sentimos ser a certa para eles, depende muito das nossas aprendizagens. Acima de tudo, depende muito do chip que nos é colocado e formatado desde pequenos e que nos ajuda a diferenciar o certo do errado. Um dos capítulos que já li deste livro fala da empatia. Ou melhor, fala da necessidade que temos em cultivar empatia em todos os campos da nossa vida. Com os nossos filhos. Como o nosso companheiro. Com a nossa família. Com o carteiro que nos traz a correspondência. Ou, até mesmo, com aquele colega do trabalho que não nos diz grande coisa e até achamos que é um pouco antipático. A empatia ajuda-nos a sobreviver aos mais momentos mais complicados e a ajudar alguém que esteja menos bem.

 

Empatia: O momento em que mais senti falta dela

Quando senti o meu coração parar, a empatia foi algo muito importante. Olharem para mim, abraçarem-me ainda que somente com o olhar quando tudo ainda parecia um sonho, foi muito importante. No entanto, posso dizer que não senti empatia das outras pessoas em todos os momentos. E o mais curioso de relembrar é que a maior falta de empatia que senti foi… De duas mulheres. Profissionais de saúde. Que me receberam num dia de reavaliação, em que ia com o coração cheio de receios para saber se o meu corpo estava a reagir bem a tudo…

No dia em que me desloquei às urgências obstétricas para ter a confirmação do aborto retido, deparei-me com um anjo. Digo um anjo porque foi a melhor pessoa com quem me poderia ter cruzado num momento tão complicado e doloroso… Uma médica que, primeiro, quis saber como eu me sentia e, apenas depois, quis falar dos aspectos médicos da situação. Uma médica que me olhou nos olhos enquanto me agarrava as mãos para reconfortar. Uma médica que se preocupou com o meu filho e me aconselhou como cuidar dele em toda a situação. Uma médica que me disse “brinque muito com o seu filho durante todo o dia de hoje, carregue-se de energia boa e depois dê início ao processo“. Para ela, as minhas palavras de gratidão serão sempre poucas! É assim que uma mulher deve ser acolhida pelos profissionais de saúde… Bem sei que nem sempre é fácil receber doentes… Mas isso não invalida que se fale com uma mulher que está a passar ou que passou por um aborto de forma fria. Gélida. Sem qualquer sentimento ou empatia num momento tão complicado…

Se neste primeiro momento, foi um anjo de empatia que me recebeu, no momento seguinte não me poderia ter sentido pior… Uma frieza no olhar. O quase me chamarem burra por ter dito “interrupção involuntária da gravidez” dizendo que eu tinha interrompido porque quis… Como se por acaso eu fosse médica para saber estes termos todos! E depois dizerem que eu não precisava de baixa médica, a que está prevista na lei, e que devia era ir trabalhar. Insinuarem que o que eu queria não era trabalhar… Que era apenas uma desculpa para ficar em casa… Enfim… Fico triste por este tipo de situações acontecerem e por existir tanta falta de empatia. Nos hospitais. Nas escolas. Na fila do supermercado…

Vão questionar-me se fiz queixa das duas médicas em questão… O turbilhão de todos os sentimentos, toda a dor, toda a perda… Fez-me não escrever no livro de reclamações do hospital, ao contrário do que o meu marido queria… Se fosse hoje, acho que teria feito de forma diferente. Eu bem sei que todos somos humanos, que temos os nossos dias menos bons e que nem sempre estamos com vontade de sorrir para o mundo inteiro… Mas isso não invalida que, numa profissão em que a empatia deve estar mais presente do que em todas as outras, se possa tratar uma mulher que está a passar por um aborto desta forma. Tenho pena que duas mulheres possam tratar desta forma, quase cruel, outra mulher que está num estado mais fragilizado… Quero acreditar que ambas estavam num dia mau e que não foram capazes de gerir as suas próprias emoções na forma como lidaram comigo. Quero acreditar que aquela não é a sua forma de estar enquanto médicas ginecologistas-obstetras. Quero acreditar que não é assim que recebem todas as mulheres nas urgências… Quero acreditar…

 

Por isso vos digo… Transpirem empatia por todos os vossos poros, desde que acordam até que se deitam. Mesmo nos dias piores, mesmo quando as forças vos faltam, tenham empatia pelos outros. Porque um mundo em que criamos e educamos os nossos filhos com empatia, só pode ser um mundo muito melhor!

 

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