Parentalidade

Natal, descontos e consumismo

Natal. Aquela época deliciosa de partilha, de afectos, de momentos em família… Mas também de muita correria em centros comerciais, de combates de gladiadores pelo último brinquedo na prateleira e competições desnecessárias entre as crianças para verem quem ter o maior brinquedo.

 

Partilhei ontem, no Facebook, esta reflexão sobre os fantásticos fins-de-semana de descontos em brinquedos:

 

Imagino quantas mães, pais e avós não andam numa verdadeira correria este fim-de-semana. Diz que há por aí uma grande superfície a fazer descontos de 50% em cartão em todos os brinquedos. Como qualquer mãe que se preze, ouvir “50% de desconto” soa a música celestial e há que correr, puxar cabelos e saltar por cima de 14264930 pessoas para ter o brinquedo da berra. Tudo porque os nossos filhos merecem o melhor!

Eu, que aqui vos escrevo alapada no sofá, enquanto o meu marido dormita e o meu filhote está sentado no chão a ver os desenhos animados que escolheu penso… Devo ser a pior mãe do mundo por não andar agora numa correria a comprar as prendas de Natal para ele!!!! Devo ser a pior mãe do mundo por não estar a trazer para casa três carrinhos cheios de brinquedos para casa enquanto conto os tostões para as compras de comida até ao final do mês…

Deverão ser as nossas prioridades estas? O consumismo desenfreado? O encher carrinhos de brinquedos que os nossos filhos não vão ligar nem um instante? Por isso vos digo… Sou a pior mãe do mundo e hoje (e amanhã!) vou estar alapada no sofá. Se o meu filho vai ter brinquedos no Natal? Sim, vai. Mas não vão ser comprados numa febre de consumismo. Que prenda vai ele receber dos pais? Não vai ser um brinquedo… Prefiro acreditar que são as experiências que contribuem para o crescimento da criança e que são essas que moldam a sua personalidade.

E agora antes que as mães desse lado olhem este meu post como uma crítica… Nada a ver… Ao ler o relato de uma mãe a quem desapareceu um brinquedo já pago enquanto procurava papel de embrulho… Não posso deixar de colocar a mão na consciência e pensar no quanto nos aproximamos de mais uma época de consumismo desenfreado. E o quanto nos vamos esquecendo dos afectos e de tudo o resto… Valerá a pena arrancar cabelos por brinquedos?

É apenas uma reflexão… Espero que continuem desse lado depois de ler este tratamento… 😊❤️

 

Preocupa-me muito o consumismo em que esta quadra se tornou. Preocupa-me termos de pensar nos ataques de bullying que os nossos filhos podem sofrer na escola após o Natal por não receberem uma tonelada de brinquedos. Preocupa-me que as famílias portuguesas façam um esforço quase sobrenatural nos seus orçamentos para comprarem brinquedos e fiquem a faltar outras coisas.

 

Aqui em casa não somos perfeitos. Também compramos brinquedos. Também oferecemos o que de melhor queremos ao nosso filho. Proporcionamos as experiências e os passeios que achamos que o possam fazer mais feliz. Tudo aquilo que achamos que o pode fazer sorrir e dar as mais doces gargalhadas. Mas não nos guardamos para o Natal para lhe oferecer um brinquedo. Oferecemos em qualquer momento do ano, sem associar a uma data. Oferecemos porque sim. Habitualmente, porque ele demonstra interesse. Desde cedo que o deixamos escolher e sinto que é o caminho certo!

 

Aproveitem mais dos afectos do Natal (e de todo o ano) e menos as filas dos supermercados. Invistam menos em objectos e mais em tempo de partilha. Os laços familiares, o reforço de sinergias e o bem-estar mental de todos irão agradecer!

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