Maternidade

Parece ainda que é tudo um sonho mau…

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Imagem via Kaboompics

Hoje acordei e o meu primeiro pensamento foi: “já passou um mês…“. Sinto-me um pouco mais vazia no dia de hoje… Há um mês atrás, encontrava-me no hospital à espera de ser vista pela médica e de me ser explicado todo o processo que me esperava… É impressionante como o nosso cérebro tem a capacidade de nos fazer recordar estes momentos à fracção de segundo. Recordo-me de quantas pessoas estavam na sala. A cadeira onde esperei para ser observada. A expressão da médica quando me recebeu. E o seu gesto de me estender as mãos e me dizer “antes de mais nada, quero ouvi-la e saber o que sente“. Pode parecer a pergunta mais parva do mundo… “Sinto-me despedaçada por dentro! Estou mal!” mas o olhar carinhoso com que se dirigiu a mim mostrou-me a profissional humana que tinha diante de mim.

Já passou um mês desde que fiz a primeira toma de comprimidos para despoletar todo o processo. Não consigo não recordar o quanto chorei com cada comprimido. O abraço apertado que o meu marido me deu… E o esforço sobre-humano que fiz para iniciar tudo. Mas parece ainda que é tudo um sonho mau… Por vezes, tenho a sensação que vou acordar e que os meus bebés vão estar dentro de mim. A crescer fortes e saudáveis. Mas depressa a realidade me mostra que isso já não se passa…

A catarse de um momento como este está longe de ser fácil. A expressão das pessoas que falam comigo. Os comentários de “rapidamente engravidas novamente“. Cruzar-me com mães de recém-nascidos. Cruzar-me com grávidas. Parece que tudo faz o meu coração tremer mais um pouco… A vida prega-nos partidas mas se estas coisas acontecem temos de ter a força para seguir em frente. Qualquer que seja a nossa opção para fazer o caminho a seguir. Seja engravidar novamente ou não. Apenas tenho de fazer a mentalização de que tenho a força e os pilares, o meu marido, o meu filho e o resto da família, a suportarem a minha queda e a mostrarem-me que o caminho será feito na mesma. Apenas não será feito com estes bebés. Hoje é um dia difícil. Afinal só passou um mês, não é verdade?! Estou longe de ter já terminado o meu luto. Estou longe de ter já “arrumado a casa” e fechado este assunto… Até porque este é assunto que nunca termina verdadeiramente, não é verdade?

Ontem, na reunião de pais da sala do meu filhote, senti o meu coração parar… Como é normal nestas reuniões no final de um dia de trabalho, nem todos os pais chegaram ao mesmo tempo. Quando já estávamos quase a iniciar a reunião começaram a chegar algumas mães que ainda faltavam… E cada uma delas tinha a sua barriga de grávida… Não imaginam o quanto o meu coração parecia partir-se mais um pouco com cada mãe que chegava. E no final, reuniram-se todas para falar das suas gravidezes e eu só tive vontade de sair da sala a correr… O meu marido perguntou-me se estava bem e apenas consegui responder “não…” e apertar-lhe a mão. Nada de ressentimentos ou de inveja por estas mulheres, nada disso! Apenas tristeza por pensar que eu podia ser uma daquelas mães… Sim, porque quando me olho ao espelho todos os dias, vejo que a minha forma física ainda não regressou ao sítio. Sou daquelas mulheres que ainda o espermatozoide mal se encontrou com o óvulo e nota-se logo a gravidez. Tudo alarga quase automaticamente. E essa parte, tal como a psicológica, ainda leva o seu tempo a ir ao lugar. Olho-me ao espelho e ainda vejo sinais de uma gravidez que não seguiu em frente e isso também me parte o coração. E sei que isso é mais um pequeno ponto que me faz levar mais tempo a recuperar de todo este episódio…

 

Passo a passo… Quero acreditar que irei recuperar. Irei poder voltar a sorrir e terei sempre duas estrelas no céu para as quais poderei olhar…

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