Maternidade

Blogs de mães: o big brother que todas adoramos

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Imagem via Kaboompics

 

Os blogs de mães parecem ser uma tendência. Antes que me atirem uma pedra a dizer “ah e tal mas tu também tens um blog de mãe!“, tenham calma que já vos explico tudo! Nos dias de hoje, muito se diz que os blogs estão a morrer… Surgiram outras formas de comunicar, o Instagram é uma delas (de que sou fã, confesso). As pessoas procuram muito mais conteúdos visuais do que longos textos que levam demasiado tempo a ler. Por isso, quando surgem plataformas que aliam informação e muitas fotografias, o sucesso é inevitável.

Eu própria escrevo num blog que se pode encaixar na categoria do “baby blog” ou “blog de mãe”. Escrevo sobre a minha aventura da maternidade, sobre as peripécias do dia-a-dia, sobre a parte de ser mulher ao mesmo tempo que sou mãe… Essencialmente, gosto de dizer que escrevo sobre o amor. Apesar do Mom descomplicada ainda nem ter dois anos, já não sou nova nesta blogosfera. Feitas as contas, já ando por aqui desde 2005, tendo escrito num blog, de forma mais ou menos ininterrupta, durante cerca de 12 anos. Algures no tempo, fui convidada por dois amigos a escrever no “Corre mais rápido”, fruto da minha paixão pela corrida e da participação em diversas provas. Claro que quando fui mãe, escrever no meu primeiro blog deixou de fazer sentido e assim nasceu a Mom descomplicada.

Mas porque venho agora falar de blogs de mães e de big brother? O que tem uma coisa a ver com a outra?

 

Blogs de mães: a curiosidade feminina explorada ao máximo!

Vou confessar-vos… Seja no Facebook ou no Instragram, sigo diversos baby blog ou blogs de mães, pelos mais diversos motivos. Assim de repente lembro-me do Blog da Carlota (sobre ele, leiam esta notícia publicada no Expresso em 2016: Estas mães contam tudo na internet), Definitivamente são dois, Aos pares, Os devaneios da mãe, A mãe é que sabe, Tomás My Special Baby, Memórias da M e podia estar aqui o resto do dia… Gosto das partilhas que estas mães fazem. Já aprendi muito com elas! E gosto bastante das peripécias mais engraçadas que nos mostram.

Explorando a nossa curiosidade ao máximo, temos de ver que nem sempre o mundo cor-de-rosa que nos é mostrado corresponde totalmente à realidade (já havia escrito sobre isso quando vos falei das Redes sociais: Onde os robots são sempre alegres e das Redes sociais: O mundo do bom, do mau e do vilão). Muitas destas mães escrevem mesmo isso nos seus blogs de vez em quando, quase em jeito de responsabilidade social com as suas leitoras assíduas. Ainda que seja esse mundo cor-de-rosa o que mais vende nos blogs de mães, convém mostrar as nuvens que podem surgir no horizonte. Nem sempre a roupa dos miúdos está limpa de nódoas e ou as noites são inteiras para dormir. É importante mostrar isto para que outras mães não arranquem cabelos quando o seu bebé recém-nascido for completamente diferente do que leu no seu blog preferido.

Mas se pensarmos bem… Estes blogs de mães (e o meu também!) acabam por ser um doce big brother em que acompanhamos as peripécias destas famílias como se fossem a nossa. Temos muita curiosidade pelas actividades que fazem, pelas roupas que compram, podendo esta curiosidade chegar a um ponto talvez demasiado intrusivo, como querer saber onde moram ou em que escola andam os miúdos (sim, eu já recebi uma questão destas e nem queria acreditar!). E para os profissionais de saúde, esta exposição pode ter um reverso da medalha…

 

Blogs de mães: O que os médicos pensam sobre isto?

Esta semana, deparei-me com um artigo do Dr. Mário Cordeiro partilhado nas stories de uma conta do Instagram. Já não me lembro de que publicação foi partilhado o texto mas o assunto eram os blogs de mães. Este pediatra conhecido de todas nós falava como era feita a exposição das crianças nos blogs, por vezes de forma excessiva no seu entender, em que valia tudo! Confesso que ao ter um blog em que escrevo sobre ser mãe, a partilha de imagens do meu filho é feita de forma muito ponderada. Tanto aqui, como no Facebook ou no Instagram, nunca exponho a cara dele. Devo-lhe esse respeito e tenho de ter sempre presente que ele não tem a possibilidade de me dizer se quer ou não aparecer. E nunca sei o que ele pensará no futuro de eu ter partilhado fotos dele…

A exposição e a partilha de episódios mais ou menos caricatos podem ter os seus efeitos nos mais novos. Nós, mães orgulhosas dos nossos rebentos querendo sempre partilhar tudo nem sempre nos damos conta disso… E é para aspectos como este que Mário Cordeiro nos alerta quando escreve sobre os blogs de mães. Chega mesmo a referir os longos posts que mais se assemelham a catálogos de compras onde só falta mesmo a referência dos artigos já que as marcas estão lá todas! Como pequeno big brother da maternidade, eu vejo isso nos blogs de mães, também o faço e acho que muitas vezes dá-nos jeito. Mas temos também de pensar que algumas destas mães têm nos seus blogs a sua profissão actual pelo que estes posts serão inevitáveis. Caber-lhe-ás saber gerir esse conteúdo da melhor forma e partilhá-lo sem que o blog se pareça com um catálogo (estou a lembrar-me, por exemplo, dos posts da Vera Pinheiro no seu As viagens dos Vs e a forma inteligente como partilha este tipo de conteúdo).

 

Esta é a realidade do mundo dos blogs das mães e acho que cada uma de nós saberá, melhor do que ninguém, o rumo que quer dar ao seu cantinho. Com ou mais exposição, sempre pensando nos mais pequenos que acredito ser algo que todas fazemos.

 

E vocês… Quais os blogs que seguem de forma mais atenta? E acham que a exposição é demasiada ou nem por isso? E o que me dizem ao mundo cor-de-rosa que se partilha nesta blogosfera?

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