Pensamentos

Mia Rose, NOS e amamentação

A NOS tem utilizado youtubers, bloggers e instagramers para a sua mais recente campanha publicitária e a Mia Rose é a protagonista do mais recente vídeo. O papel que pessoas como a Mia ou a Bumba na Fofinha possuem por quem segue redes sociais foi sabiamente utilizado pela NOS, tornando os seus vídeos numa das campanhas publicitárias com mais visualizações dos últimos tempos.

O mais recente vídeo traz-nos Mia Rose a falar do jeito que a NOS tem dado lá por casa depois de ter sido mãe. Até aqui, nada de estranho…

O que está a causar alguns comentários menos positivos a este vídeo não é o veneno que todas nós, de forma mais ou menos clara, destilamos em relação a quem já recuperou a sua forma apenas quatro meses depois do parto… Nop… Desta vez não é isso… O que está em causa são mesmo os breves dois segundos ou coisa que o valha em que Mia Rose está a preparar o biberão com leite adaptado. E são os dois segundos que se assemelham a uma Armaggedon por essas redes sociais e grupos de mães fora…

 

Amamentação: a minha visão sobre o tema

Eu amamento o meu filhote, já la vão 24 meses. Quando engravidei, sempre considerei a possibilidade de amamentar desde o nascimento. Li sobre o assunto, fiz muitas pesquisas sobre as orientações da Organização Mundial de Saúde e da Direcção-geral de Saúde sobre o tema e falei com outras amigas que já tinham sido mães. Sempre tive presente o seguinte: se a amamentação fosse o processo em que eu e o bebé nos sentissemos bem, esse seria o nosso caminho. Mas se isso nao acontecesse, não iria encarar a amamentação como um processo de sofrimento.

Felizmente, e apesar da preguiça inicial, o meu filhote fez boa pega o que se traduziu numa amamentação tranquila para nós. O apoio sempre presente do meu marido (que sempre me disse que me apoiaria fisse qual fosse a minha opção quanto a amamentar, mas sempre defendendo as vantagens da amamentação) foi fundamental para que tudo corresse bem. E assim chegamos a esta fasquia dos 24 meses e assim continuará até que eu e o meu bebé assim nos sintamos bem.

 

Mia Rose e o vídeo da polémica

Dar leite adaptado (ou o famoso “leite de lata”) é uma opção pessoal de cada família com a orientação dos profissionais de saúde que acompanham o bebé. Sabemos que, infelizmente, nem sempre a amamentação é apoiada como deveria no nosso país. Facilmente, o leite adaptado é recomendado aos pais. Mas cabe-nos estar o melhor informados possível para decidirmos o melhor caminho para a criança. Sem pressões. E, acima de tudo, sem extremismos…

Comecei por partilhar convosco que amamento para não pensarem que estou aqui a defender o leite adaptado. O que quero transmitir é não devemos crucificar ninguém por aquilo que passa num anúncio. Sim, é verdade que as orientações da OMS são para a amamentação em exclusivo até aos seis meses. Também é verdade que, felizmente, cada vez mais mulheres amamentam por mais tempo e ainda bem para os nossos bebés! Mas não temos de chegar a extremismos quanto a estas questões… Se a NOS poderia ter seguido uma opção diferente para aqueles dois segundos do anúncio? Se calhar… Se a Mia Rose poderia ter recusado aquela parte do guião e preferir surgir a dar maminha? Também… Mas a opção da Mia Rose pode ter sido, na sua caminhada de mãe, de não amamentar.

E agora pensem comigo… Não estaria a Mia Rose a ser hipócrita ao surgir a amamentar num vídeo publicitário apenas porque parceria mais “politicamente correcta”? Quando, no seu dia-a-dia, não faz parte das suas opções de mãe? Penso que isso não a faria sentir bem. Tal como uma mãe que amamenta também não se sentiria bem a publicitar Aptamil. Antes de atirarmos a primeira pedra temos de fazer um pouco de advogados do diabo… As nossas melhores opções podem não fazer sentido a outras pessoas e não as podemos criticar. Apenas podemos desejar que tenham sido decisões informadas. Sim, a NOS poderia ter tido um pouco de responsabilidade social neste aspecto… Concordo… Mas não é a Mia Rose a culpada disso.

 

Eu defendo a amamentação prolongada mas apenas se fizer, criança, mãe e pai, pessoas felizes. Se isso não, acontecer mais vale procurar outras opções. Para mim, esse é o caminho na maternidade.

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