Maternidade

Quando o coração pára…

O nosso corpo fica gelado e sabemos que, a partir daquele momento, nada será como antes… Não escrevo aqui há cerca de dois meses. E este post está bem longe daquele que eu tinha imaginado escrever neste regresso ao blog.

12 de Setembro de 2018. O post que eu tinha imaginado partilhar convosco neste dia estava carregado de boas notícias. De alegria de um momento que se quer partilhar com o mundo desde que se recebe a notícia. Um momento que se guarda no seio de uma família até se chegar aquela barreira em que o mundo pode conhecer o que se esconde no nosso interior. Mas essa barreira não chegou para mim… Neste dia, eu completaria 12 semanas de uma gravidez muito desejada. Uma gravidez que nos permitiria aumentar a nossa família e dar um irmão ou uma irmã ao nosso baby boy. O pequeno reizinho das nossas vidas! Uma gravidez em que dois pequenos seres cresciam dentro de mim… Mas cujos corações pararam… A minha ausência foi sinónimo de um aborto. Um processo por que nenhuma mulher, nenhuma família, merece passar.

17 de Julho de 2018. As suspeitas e os primeiros sintomas já andavam por aqui há uns dias. As dúvidas também. “Seria mesmo?! Poderia estar grávida?!“. Este foi o dia em que fiz o teste de gravidez e em que descobri que já não caminhava sozinha. Existia vida a gerar-se dentro de mim. Estava mesmo a acontecer e a alegria invadiu-me. Invadiu-nos!!! Os receios também, claro. Afinal, estávamos a gerar o nosso segundo filho e seria uma aventura. Fiz, no dia seguinte, a análise ao sangue para confirmar. E sim… Afinal não existem falsos positivos nos testes de farmácia, não é verdade?! O turbilhão de sentimentos (muito ajudado pelas hormonas sempre a aumentar!) começou. Como seria sermos pais de duas crianças? Que desafios nos esperavam? Como iria reagir o baby boy à notícia? Como iria correr a gravidez? Sabendo que a primeira gravidez tinha tido algumas complicações, era impossível não recordar tudo. A diabetes gestacional detectada ainda no primeiro trimestre. A disfunção da sífise púbica que me deixou quase sem andar. Mas o pensamento positivo fez-nos acreditar que tudo iria correr bem e que em Março de 2019, a família iria ter um novo elemento…

03 de Agosto de 2018. Por esta altura, já tinha ido às urgências por queixa de dores lombares. Uma ecografia mostrou que lá estava o pequeno saco. Tudo normal para o tempo de gestação. Entre as cinco e as seis semanas. Mas este dia ditou um regresso às urgências… Uma perda de sangue, sem qualquer dor a acompanhar, mas que fez chorar como nunca pensei. O sentimento de poder estar a ter um aborto… O sentimento de poder estar a perder um pequeno início de vida tão desejado… Ver o meu filho de dois anos com uma calma e um afecto que nunca pensei ser possível numa criança tão pequena! Abraçlou-me com toda a sua pequena força e chorei. Chorei muito. Senti o que era entrar numas urgências por aborto espontâneo. Senti na pele o olhar de preocupação de enfermeiras e médica. Repetir análise ao sangue para ver como estava a beta-HCG. Repetir ecografia. Aguardar o resultado da análise (os valores de beta-HCG estavam elevados, bom sinal!). Fazer nova ecografia. E ouvir o coração pela primeira vez! Chorei de novo. Agora de felicidade por ouvir aquele som ritmado que indica que existe vida dentro de nós! As palavras tranquilizadoras da médica de que estava tudo bem. Foi apenas um susto!! A indicação de que deveria fazer repouso absoluto até à próxima consulta com a ginecologista.  E assim fiz… Foram dias em que as brincadeiras com o pequeno baby boy foram mais cuidadosas. O apoio sempre permanente do meu marido e da minha mãe. E o pensamento positivo de que tudo iria correr bem.  A perda de sangue, conforme apareceu, assim desapareceu. E o coração de mãe ficou mais tranquilo…

07 de Agosto de 2018. A consulta com a ginecologista. A descrição de todos os sintomas e de tudo o que tinha acontecido. E a repetição da ecografia para ver se estava tudo ok. Nunca irei esquecer o momento da ecografia… O momento em que a médica se questionou: “O que é aquilo ali? Tenho de ver bem…“. O sorriso no rosto do meu marido: “Eu não disse?!“. E a confirmação da médica: “Gémeos.“. Existiam dois pequenos corações a bater dentro de mim. Num único saco gestacional, estavam em crescimento dois pequenos embriões. Gémeos verdadeiros que cresciam dentro de mim. Primeiro, senti o choque: a carga genética do meu lado materno em que existe mais do que um par de gémeos tinha feito das suas. Depois, o medo. “Oh meu Deus, iríamos passar de uma família de três para cinco! Seríamos capazes?!“. E a preocupação… “Uma gravidez de gémeos verdadeiros tem mais riscos. É necessário fazer mais ecografias e um acompanhamento mais próximo” disse-nos a médica. Tínhamos a consciência de que esta gravidez iria ser feita ao seu ritmo de cada ecografia. De cada etapa ultrapassada! A probabilidade de serem prematuros estava em cima da mesa. Pela possibilidade de ter de novo diabetes gestacional e disfunção da sífise púbica. E por o baby boy já ter nascido antes do tempo… Mas tentámos manter a calma. Ter pensamento positivo. Afastar a ideia de que poderia acontecer um aborto. Esta palavra tão carregada negativamente, aborto, não a queríamos sequer no nosso dicionário. Mal sabíamos que ouviríamos “aborto” tantas vezes daí a umas semanas…

23 de Agosto de 2018. O dia da ecografia das nove semanas. Estávamos ansiosos. Expectantes. Mas a acreditar que estaria tudo bem! Sim, vai estar tudo bem! As últimas semanas tinham sido como a médica nos havia descrito: mais cansaço, enjoos bem mais fortes do que na primeira gravidez (as tomas de Nausef eram diárias e duas vezes por dia). Muitas idas à casa de banho para vomitar. Dizem que os sintomas de uma gravidez gemelar são bem mais expressivos e é verdade! Nunca me senti tão em baixo na primeira gravidez… Fiz muito repouso. Não queríamos que houvesse nova perda de sangue nem nenhuma complicação. Ao final do dia, fomos para a ecografia ansiosos por ouvir de novo os dois pequenos corações. Mas o mundo tinha parado… Não ouvimos nada. Os dois embriões tinham parado de crescer. E o nosso mundo desabou. Diagnóstico: aborto retido. “Aborto retido?! O que é isso?!” Nunca tinha ouvido tal expressão! “Gravidez não evolutiva” escreveu o médico no relatório da ecografia. Disse-os para falarmos com a nossa ginecologista e aguardar alguns dias para deixar o corpo reagir naturalmente… Um aborto retido não tem sintomas. Apenas pode ser detectado por ecografia como aconteceu comigo. Falei com a minha ginecologista que me disse para aguardar durante o fim-de-semana. Se não houvesse perdas de sangue, teria de ser vista no hospital na segunda-feira seguinte.

27 de Agosto de 2018. Nada aconteceu durante o fim-de-semana. Dores, perdas de sangue. Nada. Simplesmente o meu corpo não tinha qualquer reacção natural a uma gravidez que não ia para a frente… Dirigi-me ao hospital, repeti a ecografia para confirmar que a gravidez era mesmo não evolutiva. E chorei novamente… Uma gravidez tão desejada tinha terminado… Era chegado o momento de fazer a toma de misoprostol (uma versão sintética da prostagladina E1), medicamento usado como abortivo e na indução do parto.  Era chegado o momento do aborto médico. Conforme me foi explicado pela médica, esperava-me um processo doloroso, física e psicologicamente. Esperavam-me contrações. Fortes e dolorosas. Esperava-me um processo de aborto que nenhuma mulher merece viver. Chorei muito… Iria passar por contrações que não me iriam trazer nada… As contrações que nenhuma mulher deveria passar. Passei por todo o processo em casa com o meu marido. Apenas os dois. Abraçámo-nos muito. Chorei muito. Questionei-me muitas vezes… “Porquê?!“. Foram necessárias 48h para que todo o processo acontecesse. Duas tomas de misoprostol. E a saída do saco… Foi doloroso o momento em que o vi… Tudo estava terminado naquele momento. Nunca chorei tanto. Nunca me senti tão impotente, tão fraca. Este foi o desfecho que não queria para a minha gravidez… Mas a natureza saberá o caminho em que nos coloca…

03 de Setembro de 2018. Dia da reavaliação após o aborto médico. O corpo reagiu bem à medicação e foi feita toda a expulsão, não sendo necessário mais nenhum procedimento médico. Encerrava-se assim este capítulo. Um capítulo que iniciou com a alegria de estar a gerar uma nova vida dentro de mim, que passou pelo turbilhão de emoções de ter gémeos verdadeiros a crescer e que terminou com dois pequenos corações que deixaram de bater. Um capítulo de muitas lágrimas e que deixou marcas. Felizmente, não tanto a nível físico. Mas a nível psicológico estão cá. E vão estar porque existem processos que custam a passar e que nos modificam sempre de alguma forma… Tenho agora uma caminhada para fazer para me recompor. E acreditar que a natureza sabe o que faz…

 

Pensei muito em se deveria ou não escrever este post. Esta é a exposição de um momento muito difícil. É a partilha do turbilhão de acontecimentos. Nem só desconhecidos leem o blog… Pensei muito e decidi que o deveria fazer. Pela partilha de experiências e, principalmente, pela catarse de todo o processo. Muito ainda poderia partilhar sempre este momento… A forma como fui tratada no hospital. Estar no mesmo espaço que grávidas prontas a ter os seus bebés. Ouvir bebés nascer enquanto eu sabia que a minha gravidez tinha terminado. Senti que, acima de tudo, deveria escrever sobre este episódio para deitar cá para fora o que vai dentro deste meu coração e da minha cabeça. Escrever sobre os sentimentos que tenho dentro de mim no dia em que completaria 12 semanas de gravidez. Ser humana e ser capaz de partilhar as minhas fraquezas porque acredito de que necessito disso para seguir em frente… Desculpem o post tão longo. Sei que ninguém gosta de textos demasiado longos mas precisava de escrever sobre tudo. Dia a dia. Sobre todo o processo. Obrigada por estarem desse lado…

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19 Comments

  • Blogue Ela e Ele, Ele e Ela

    O carinho que fomos ganhando por ti e pelas tuas partilhas faz-nos com que gostemos de ti. Com que quiséssemos muito ver essas crianças crescer… Infelizmente não aconteceu. Este texto está a cru e foi terrível de ler. Foi verdadeiro, genuíno e pode ter sido importante para ti, mas nós acreditamos que será muito importante para muitos outros pais que não chegaram a conhecer os seus filhos. Nós acreditamos que tudo acontece por alguma razão, mas às vezes é muito difícil de acreditar nisso… É mesmo muito difícil. Não imaginamos o que passaram, mas queremos dizer honestamente que se algum dia pudermos ajudar, de alguma forma, então cá estaremos.
    Muita, muita força para estes momentos difíceis… Estamos mesmo sem palavras…

    • momdescomplicada

      Meus queridos, o vosso carinho e o vosso apoio tem sido incansável neste período menos alegre da vida da Mom descomplicada. Quero acreditar que esta nuvem irá serenar e que poderei retomar o meu caminho e o meu sorriso. Serão sempre duas estrelinhas que nunca irei esquecer (como é possível já ter passado um mês desde que tudo aconteceu?!) mas que tenho a certeza que serão o meu guião no caminho de mãe. A vossa presença e o vosso carinho sempre presentes têm ajudado e muito nesta nossa caminhada enquanto família! Obrigada por todo o vosso carinho. Grande beijinho!

  • Carina

    Sei tão bem o que está a passar. Revejo uma parte da minha vida as suas palavras. Passei exatamente pelo mesmo, com algumas diferenças. Vou lhe contar porque sei que lhe vai dar força para seguir em frente.
    Eu e o meu marido, achamos que estava na altura de termos o primeiro filho, vamos lá!! Passou 1 ano, 2 anos e nada de engravidar. Mas de 2 anos depois de tantas tentativas, começaram as mudanças no corpo, que me deixaram a pensar. Teste de gravidez positivo. No dia seguinte corremos para o hospital, tudo otimo, 4 semanas de gravidez. 1 mês depois, segunda ecografia. O mundo desabou, não havia som do coração e o bane tinha parado de desenvolver às 6 semanas. 3 tentativas de aborto em casa (com comprimidos vaginas) e nada. Lá fui eu para o hospital, ficar internada, depois de uma semana de sofrimento e dores horriveis, sabendo que o meu filho estava morto dentro de mim.
    3 dias no hospital, mais tentativas de aborto e nada… lá fizeram a raspagem, com um corte no utero pois não o conseguiam abrir nem por nada. 2 meses de repouso absoluto e um turbilhão de sentimentos, que só nós, que passamos por isto, sabemos descrever.
    Passou 1 ano, e as mudanças no corpo voltaram. Mais um teste de gravidez, mais um positivo. Nem deu tempo para ir á consulta. 2 dias depois, uma pequena perda de sangue voltou a tirar-nos o tapete debaixo dos pés. Corri para o hospital mas já não havia nada a fazer. Estava desencadeado um aborto espontâneo. Restava-nos esperar que o nosso bebé saísse, sem o podermos conhecer.
    Fiquei proibida de engravidar nos proximos 6 meses.
    1 mês depois, algo estranho estava a acontecer. Para descartar todas as hipóteses, lá fui eu fazer mais um teste, sabendo que tinha de ser negativo. Qual o nosso espanto quando apareceu um positivo novamente.
    O medo foi maior do que qualquer coisa no mundo. Corri para o hospital, conformada que ia correr mal, pois não poderia sequer estar grávida naquela altura. Ecografias, exames, tudo e mais alguma coisa, e as melhores notícias do mundo. Estava tudo otimo, só deveria ter algum cuidado até ao 3°mes.
    Tive uma gravidez santa, uma parto sagrado. Graças a deus, temos um baby lindo e saudável com 7 meses.
    Tudo isto para lhe dar a minha força. Deus sabe o que faz e porque faz. No momento certo a vossa família vai aumentar e vão ser muito felizes. Muita força, e continuem com pensamentos positivos. Acredito que ajude.
    Um beijinho e muita força 😘😘

    • momdescomplicada

      Carina, muito obrigada pela partilha da sua história! Toda a caminhada que descreveu mostra o quanto pode ser duro este caminho da maternidade que nem sempre os blogs mostram e que nem sempre temos coragem de partilhar mesmo com aqueles que nos são mais próximos. Aquilo que sofremos entre paredes, enquanto casal, na tentativa de engravidar ou na situação de aborto, é duro, muito duro. Nem sempre o sorriso amarelo com que encaramos quem está fora de nossa casa mostra o turbilhão de sentimentos e a tristeza que pode estar escondida no nosso peito. Para nós, mulheres, a caminhada depois de um aborto acaba sempre por ser um pouco mais difícil do que do homem. As dores que a Carina descreveu são demasiado fortes para que possam ser esquecidas, infelizmente. Resta-nos darmos graças pelos homens que temos ao nosso lado e que nos ajudam a seguir em frente (nunca esquecendo que eles também sofrem e também precisam de nós). Fico muito feliz pela sua família e pelo seu bebé. Que possa ser sempre uma caminhada feliz a vossa! 🙂 Um grande beijinho!

  • Carina

    Infelizmente sei o que sentes, o teu 27 de Agosto foi o meu 11 de Agosto de 2016. Só te posso dizer que com o tempo a dor vai acalmando, mas nunca se esquece nem vai desaparecer, ou pelo menos eu não consigo esquecer e cada vez que a data se aproxima é uma angústia. E não consigo mais…

    • momdescomplicada

      Hoje passa um mês desde tudo o que aconteceu… E parece que sinto tudo de novo… O tempo ajuda a apaziguar a dor… Muita força para esse lado! Beijinho grande!

  • Marina Barbosa

    Ola mamã,so descobri agora o seu blog e ao ler as suas palavras revi me muito… não tinha noçao de que sofrer um aborto acontecia tanto e quando me aconteceu a mim so pensava o que teria eu de errado,se algum dia iria ter filhos…no meu intimo sabia que estava gravida e quando fiz o teste la estava positivo…nao foi uma gravidez planeada,mas muito desejada,ja olhava para mim como mãe,tinha de proteger aquele pequeno ser…falava para ele,acariciava a barriga enfim…e de um dia para o outro perdi todo esse sonho…algumas pessoas disseram ainda estava no inicio nao era um bebé…e isso revoltava me mais pois ja sentia amor…era meu…após isso levei a minha vida normalmente e uns anos depois decidimos vamos ter um bebé,os exames normais,começar a tomar vitaminas e bora la treinar…pouco tempo depois…grávida…imaginei quase a gravidez toda que um dia iria acordar com as piores dores a sangrar e reviver tudo…decidi fazer logo uma eco as 9 semanas so para me descansar…gemeos…sacos separados…dois coraçoes a bater,nunca me senti tao feliz…passei a minha gravidez toda receosa,andava em pes de la,rezava literalmente todos os dias,lia demasiada informaçao,imaginava mil e um problemas…tive uma gastroenterite grave,uma queda as 14 semanas,e de repouso absoluto com risco de parto prematuro.so acreditei quando as tive nos meus braços…hoje sao duas mulheres com quase 9 meses… é um medo que fica para sempre e uma tristeza tambem ao imaginar a minha vida com mais um filho…

    • momdescomplicada

      Tão bom ler o final feliz da sua história! Felizmente que a natureza se encarrega de nos dar aquilo que de melhor podemos ter que é sermos mães. Revejo-me na parte da felicidade que é ouvirmos dois pequenos corações a baterem dentro de nós… Vou recordar sempre o dia em que ouvi e vi os meus dois pequenos bebés. Apesar da gravidez não ter prosseguido e hoje serem duas estrelas, serão sempre os meus bebés e existirão sempre momentos desta gravidez que nunca irei esquecer. Também não fazia ideia do número de mulheres que passam pela situação de aborto. Muito menos quantas passam por um aborto retido… Nenhuma de nós deveria passar por uma perda assim… Mas quero acreditar que todas conseguimos fazer a nossa caminhada, o nosso luto, e seguir em frente com a força necessária! Um grande beijinho!

  • Ana fragoso

    O seu testemunho deixou me de lágrimas nos olhos. Em Novembro os meus gémeos verdadeiros completariam o seu primeiro aniversário, mas infelizmente passei pela mesma dor… Já perdi 4 bebés, tenho o meu príncipe de 6 anos e um pequeno príncipe a caminho, mas a dor de perder um filho acompanha nos o resto da vida…. Ainda bem que fez este post, que nao calou a sua dor nem o seu sofrimento. A perda gestacional tem de deixar de ser um tema tabu pois nenhum/a pai/mãe merece passar por ela sozinho/a. Um beijinho cheio de força e espero que o seu bebé arco-íris chegue um dia 💖💖💖

    • momdescomplicada

      Ana, obrigada pela sua partilha! Não imagina o quanto pensei em se deveria ou não escrever este post… Se deveria ou não expor desta maneira o nosso sofrimento… Acima de tudo, escrevi para deitar cá para fora o que não conseguia por palavras. Directamente a quem me rodeia. Pensei também que o meu testemunho poderia ser, de alguma forma, útil para outras mulheres que pudessem estar a passar por processos semelhantes. Gosto de pensar que juntas somos mais fortes e tive a confirmação disso por todo o carinho que tenho recebido. Quero acreditar que, ao partilharmos as nossas histórias e as nossas caminhadas, elas se tornam menos difíceis de suportar! Um grande beijinho para si!

  • Ana Barros

    Olá, escrevo este comentário porque passei pelo mesmo. Aborto retido. Também desconhecia. Não conseguimos acreditar, parece mentira. Para mim, infelizmente ja tinha tido um aborto espontâneo anterior e voltei a ter um posteriormente. E agora tenho uma linda bebé de 8 meses. E é isso que lhe quero trazer, uma mensagem de esperança. Porque eu precisei de conhecer os happy-endings quando estava péssima, para não perder a vontade de querer ser mãe e principalmente, para acreditar que seria possível sê-lo um dia. Não desanime, não desista, não perca essa vontade de ter mais um bebé. Um beijinho grande

    • momdescomplicada

      Muito obrigada pela sua energia positiva! Não imagina o quanto é importante receber assim este carinho! Um grande beijinho para si!

  • Tita

    Na consulta das 12 semanas soube que o nosso bebé estava sem vida… A minha vida nunca mais foi a mesma… A médica aconselhou dado a minha hipertensão ficar em casa é sem nenhuma medicação aceitar o corpo, o meu, fazer a expulsão do meu bebé, fez, e foi horrível, foi a dor mais profunda da minha vida, ver ali o meu corpo expulsar o meu bebé já tão amado. Eu nunca mais vou conseguir organizar a minha mente
    Nunca mais…

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