Pensamentos

Baby blues: ninguém os quer ouvir…

Isto de ser mulher é complicado… As hormonas, essas malandras que andam no nosso sangue, mexem com as nossas emoções. Juntamente com o nosso cérebro, elas podem surpreender-nos da forma que não queremos. No turbilhão das hormonas de um pós-parto, ou mais tarde, podemos começar a ouvir uma música que não queremos. Uma música que pode perdurar mais ou menos no tempo… Uma música que é calada por tantas mulheres. Notas que vão tocando todos os dias. Notas que se vão acumulando todos os dias. Um baby blues que ganha sonoridade fechado no peito e que nos pode puxar na direção errada…

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Imagem de Valencia Psicoterapia

Baby blues: que “música” é esta?

Se fizermos uma rápida pesquisa no Google por baby blues, mais de 413000000 resultados aparecem com esta palavra chave… A avaliar por este número, este deve ser um dos temas mais pesquisados na fase do pós-parto. Na reclusão da nossa casa, quando o nosso bebé nos coloca à prova, numa pesquisa rápida de telemóvel… Baby blues… Procuramos, lemos relatos mais ou menos negros e começamos a identificar sintomas. Começamos a encontrar esses sintomas em nós. Não queríamos que acontecesse… É mais forte do que nós e parece que não vamos conseguir ultrapassar. Mas o que é isto de baby blues?

Na página Mãe me quer, pode ler-se:

A melancolia pós-parto, condição também conhecida como “baby blues”, é definida como uma perturbação emocional que pode durar alguns dias consistindo num estado de tristeza, desconforto e choro frequente. Habitualmente, este estado desaparece espontaneamente após a adaptação à nova situação familiar e integração do novo elemento nas rotinas da família.

Em Valencia Psicoterapia, dizem-nos que:

Também conhecido como disforia puerperal ou tristeza materna, o baby blues, diferente da depressão pós-parto, é considerado um quadro puerperal leve, porém extremamente frequente, acometendo até 80% das mulheres no período pós-parto. Geralmente, a instabilidade emocional (tristeza leve, ansiedade e choro fácil) inicia nos primeiros dias após o nascimento do bebé, podendo permanecer até à 3ª semana após o parto.

Parar as notas do baby blues

Das diferentes leituras que fiz, vejo que as sugestões para se tentar ultrapassar os baby blues, ou não deixar que eles nos deixem assoberbadas, vão sempre no mesmo sentido:

  • Apostarmos na partilha das nossas dúvidas, dos nossos receios, da nossa ansiedade.
  • Não acharmos que somos super mulheres e que conseguimos fazer tudo sozinhas.
  • Casas arrumadas saídas de revista após o nascimento de um bebé são mesmo isso: de revista!
  • Não nos podemos fechar em casa e falarmos apenas com o nosso bebé. O convívio com outros adultos e apanhar ar é fundamental!
  • Cuidar de nós. Cuidar de nós. Cuidar de nós. Desde não estarmos todo o dia de pijama a irmos ao cabeleireiro ou manicure. Vestir uma roupa bonita mesmo sem sair de casa para não cairmos no precipício.

A maior parte das mulheres, ultrapassa mas e o que acontece a quem não o consegue?

Do baby blues à depressão pós-parto

Nem todas sofremos de baby blues, apesar das estatísticas que nos dizem ser comum. E nem todas as que passamos por baby blues, chegamos ao estado de depressão pós-parto… Mas não a devemos ignorar quando ela chega. Não a devemos tentar calar entre quatro paredes se ela nos bate à porta. Mas o que difere estes dois estados?

Imagem do blog Grão de gente

Quantas de nós, em algum momento, não nos estamos a rever nestes sintomas? Quantas de nós nos esquecemos de cuidar de nós? Quantas procuramos incessantemente a perfeição sem nos aceitarmos tal como somos? Ninguém nos disse que a maternidade ia ser fácil… Mas também ninguém nos explicou que a depressão poderia assistir e atirar-nos para um buraco onde não queremos estar. Até porque, para a maioria, não é suposto estarmos tristes… Afinal de contas, fomos mães, não é verdade?

Sim, é verdade… Não deveríamos estar tristes… E, provavelmente, culpamo-nos todos os dias por esse estado de tristeza sem o compreendermos, aceitarmos ou procurar a ajuda de que precisamos. Aceitarmo-nos. Cuidarmo-nos. Aceitarmos as fraquezas e lutarmos contra elas. Afugentar o choro. Reconhecer que não devemos caminhar sozinhas. Ouvir quem nos quer ajudar. Não recusar um abraço, nunca fugir de um abraço. Não afastarmos quem mais gosta de nós porque nós próprias não o estamos a conseguir fazer. Aceitar. Não baixar os braços. Amar o nosso filho sempre e não o culpar de nada.

É uma longa caminhada para muitas mulheres… Procurem ajuda. Não baixem os braços. Não deixem que os maus pensamentos se sobreponham ao que têm de bom. Não é fácil… Quando parece que tudo está a ficar melhor, podem haver revezes. É normal. O nosso cérebro nem sempre trabalha na direcção que queremos. Procurem alternativas. Procurem ajuda. Não se fechem. Porque ninguém merece sofrer sozinha…

Para ler mais sobre baby blues e depressão pós-parto

 

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