Parentalidade

Rosa é menina, azul é menino… Ou o contrário?

A nossa sociedade é feita de estereótipos. Pensando nos mais diversos assuntos, os estereótipos vão surgir. São eles os responsáveis por condicionarmos as nossas decisões ao que é politicamente correcto e bem aceite pelos outros. Ninguém quer ser apelidado de esquisito ou de salmão a nadar contra a corrente. As ideias pré-concebidas e difundidas pelos estereótipos estendem-se à parentalidade. Porque associamos sempre o rosa às meninas e o azul aos meninos? Porque as meninas têm de brincar com bonecas e os meninos com carros? E será que sempre foi assim?

Os estereótipos relacionados como género são os mais enraizados na sociedade. Reflexo disso são os fossos criados entre o que é aceite para homens e mulheres. Seja nas opções de família ou de trabalho, parece que as nossas decisões e percursos devem ser restritos pelos nossos genitais. Já tinham pensado nisto?

Sobre as escolhas que fazemos para os nossos filhos com base no género, escrevi o seguinte no Facebook.

Esta foto já tem algum tempo É do primeiro quarto do meu filhote. Uma cor improvável na parede mas capaz de fazer as delícias de todos. Quem disse que quarto de menino tem de ser azul e o da menina tem de ser rosa? Porque temos de nos fechar em estereótipos e acharmos que eles continuam a fazer sentido na sociedade de hoje? Não deveremos nós, enquanto pais, ter a capacidade de desconstruir estes estereótipos, primeiro na nossa cabeça e depois na mensagem que passamos aos nossos filhos enquanto os educamos para serem adultos? O que pensam disto? Rosa tem de ser sempre para menina e o azul sempre para menino? O que acham destes estereótipos que sempre nos ensinaram desde pequenos?

Sim, é verdade que tenho ali umas botinhas azuis… A bem da verdade, nem foram opção minha e nunca vesti o meu filhote de azul bebé. Sempre o adorei vestir em tons de bege e de cinza, quando era recém-nascido. Agora, continuo a adorar o cinza e o amarelo é uma cor que combina muito bem com o seu tom de cabelo. Olhando para o guarda-roupa dele, acho que tenho pouco daquilo que se costuma chamar das cores típicas para rapaz. E gosto disso!

Lancei também a questão em diversos grupos de mães e houve uma delas que partilhou comigo um vídeo do YouTube que achei bastante interessante. Chama-se “Why pink was for boys and blue for girls?”, da autoria do canal Origin of Everything (vejam o vídeo neste link). Vamos falar um pouco de cores e de géneros?

Meninos de vestido e meninas de azul?

Um menino usar vestidos?! Até aos seis anos?! Algo completamente impensável nos dias de hoje. Escolher o azul como a cor de eleição para uma menina? Nem pensar que isso não tem nada de feminino! Mas agora vejam o que se escreveu em 1918 sobre esta divisão das cores por género (imagem retirada do vídeo “Why was pink for boys and blue for girls?”):

Nunca nos passaria pela cabeça algo assim, não é verdade? Pois bem… Como podem ver neste vídeo, no século XIX, era comum meninos e meninas vestirem-se de igual. Até aos seis anos, todos usavam vestidos e era nessa altura o primeiro corte de cabelo dos meninos. Nos dias de hoje, os bebés rapazes já saem da maternidade como pequenas cópias dos pais. O mundo dá muitas voltas, como se costuma dizer… A moda e os hábitos aceites em sociedade evoluem com os tempos… E aquilo que era convenção há uns anos, torna-se agora a antítese dos estereótipos por género.

Estes estereótipos vão ainda mais longe… São esses estereótipos que nos fazem escolher os brinquedos para os nossos filhos. As bonecas dão-se às raparigas e os carros e bolas de futebol são para rapazes. Talvez por sempre ter preferido carros às bonecas, esta divisão me faça alguma confusão…

Estereótipos de género nas prateleiras das lojas de brinquedos

O canal do YouTube BBC Stories partilhou um vídeo com a legenda: Are you sure you don’t gender-stereotype children in the toys you choose for them?. Este vídeo chama-se  “Girl toys vs boy toys: The Experiment” (o link é este). Nela, as crianças mexem nos brinquedos livremente. Os meninos vestem-se com roupa de menina e vice-versa. Os adultos interagem com estas crianças sem saberem o seu género. A ideia pré-concebida dada pela roupa faz com que se direcioname as crianças para os brinquedos que se acha correctos para elas. Não para os brinquedos pelos quais possam estar a demonstrar mais interesse… Sim, para os brinquedos que a sociedade acha que devem ser os seus brinquedos.

Estranho colocarmos as ideias aceites pela sociedade à frente do interesse da criança… Em Montessori, coloca-se à disposição da criança diferentes opções de brinquedos e deixá-la escolher. É dada a opção à criança. Agora pergunto eu… Quantos de nós deixamos os nossos filhos escolherem livremente os brinquedos numa loja? Quantos de nós não a os direccionamos para a área onde estão os brinquedos para o seu género? Quer dizer… Os brinquedos que a sociedade nos diz serem para o seu género?

Não sou perfeita. Também sigo alguns destes hábitos enraizados desde que nascemos. Mas dá-me que pensar… De que forma estaremos a condicionar os nossos filhos por estes estereótipos de género? Que adultos serão eles se continuarem a achar que as actividades de casa são para as meninas? Que imagem nos transmite a publicidade sobre o género? Tudo isto são questões que, como pais, devemos pensar a fundo. Devemos reflectir. Queremos que os nossos filhos cravem ainda mais fundo estes estereótipos na sociedade em que vão viver? Ou queremos que passem a mensagem de que nada é proibido para o menino e para a menina?

Fica a reflexão…

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2 Comments

    • momdescomplicada

      Eu também. É por isso que me custa quando, tantas vezes, vejo em grupos de mães do Facebook perguntarem por coisas para menino e para menina. Ainda hoje, alguém partilhava um exemplo de um quadro de rotinas diárias todo em tons de cor-de-rosa e alguém perguntou se sabia onde encontrar para rapaz. Eu só perguntei: mas as rotinas diárias é suposto serem diferentes entre menino e menina? Pela resposta que percebi, compreendi que tinham ficado ofendidos com a questão e tinha sido mal entendida… Faz-me confusão que se fomentem estes rótulos desde cedo e que não fazem qualquer sentido…

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