Dia-a-dia

Mãe equilibrista: família, trabalho e faculdade

Para quem acompanha mais atentamente o Instagram da Happy Mom descomplicada ou a página do Facebook do blog, já se deve ter apercebido que, para além de ser mãe de um traquinas maravilhoso de 19 meses, trabalho e estou a finalizar um doutoramento. E sim, ainda consigo arranjar tempo para vos escrever aqui no blog e ir partilhando boas descobertas no Facebook. Devem julgar-me louca por conseguir ter tempo para isto tudo, não é? Estou longe disso… Ao mesmo tempo, também já se devem ter dado conta que gosto bastante de organização pessoal e de encontrar boas dicas para uma melhor gestão do meu dia-a-dia. Por exemplo, já partilhei convosco que sou um pouquinho viciada em organização e um pouco da forma como me organizo em casa e no trabalho. Também já vos mostrei que sou viciada em checklists e que me ajudam especialmente a manter o foco nas tarefas mais importantes que tenho para concluir a curto prazo.
Há uns tempos e sobre uma publicação da página do Facebook Mãe & Estudante, surgiu a ideia de escrever um post em que juntasse algumas das minhas dicas para ajudar outras mulheres, mães-trabalhadoras-estudantes, a tornar os seus dias mais fáceis e mais descomplicados. E aqui está o post com as minhas quatro dicas chave para manterem a vossa sanidade mental nesta aventura! Espero que gostem e fico à espera do vosso feedback.
1. Partilhar
Partilhar é a palavra-chave para não darem em malucas. Ser mãe, trabalhar e estudar ao mesmo tempo não deve ser um projecto apenas vosso e deve ser vivido em conjunto com o vosso companheiro/marido. Ele será o vosso porto de abrigo sempre que se sentirem mais em baixo. Será ele que ficará com o vosso filho quando tiverem de estar na faculdade ou no trabalho até mais tarde. E partilhem sempre com ele todas as reuniões/datas importantes/o que se lembrarem para que estejam os dois sintonizados e nada fique por fazer! Não esquecer também outros familiares que estejam perto de vocês e que vos podem dar o suporte naqueles momentos em que o tempo parece escassear. Por exemplo, a comida da mãe sabe sempre melhor e se tiverem a vossa mãe a viver por perto, não tenham vergonha de lhe pedir para cozinhar o jantar para vocês naqueles dias em que estão com menos tempo e o vosso marido também não pode. Lembrem-se que o bem-estar do casal é também fundamental, por isso usem e abusem dos avós para ficarem com as vossas crianças para irem namorar e retemperar as forças tão necessárias para enfrentarem todas as responsabilidades no trabalho. 
Como faço por aqui? Todas as reuniões (de trabalho e de doutoramento) são marcadas num calendário electrónico partilhado com o marido (podem usar, por exemplo, o calendário da Google ou o do Outlook para partilhar eventos). Neste calendário, ficam também todas as consultas do baby boy, datas importantes da escola (incluam sempre as datas mais importantes do calendário escolar para que nada falhe! Por exemplo, incluam sempre as datas em que sabem que a escola vai estar fechada para não haver surpresas desnecessárias) e também aqueles eventos a que queremos ir em família. E o meu marido faz o mesmo com as actividades dele! Assim, estamos os dois sintonizados, seguimos o mesmo calendário e sabemos as datas importantes de cada um. Uma sugestão é sincronizarem também os vossos eventos de trabalho com os vossos colegas de trabalho e os da faculdade com os vossos professores/orientadores (faço isto e digo-vos que resulta muito bem pois assim todos sabem as datas importantes das tarefas que tenho em mãos e conseguem-se evitar sobreposições de maior).
2. Ser sincero (convosco e com os outros)
Ora bem… A sinceridade é meio caminho andado para as coisas funcionarem. Pelo menos, é assim que vejo as coisas. E é aqui que o dizer “não” entra… Esta é, talvez, uma daquelas palavras que mais temos dificuldade em usar. Mas temos de aprender a usá-la sempre que necessário e acho que a maternidade contribui para isso mesmo. Quem nunca teve receio de dizer que não aquele trabalho que não tinha capacidade de dar resposta? Ou recusar aqueles cinco convites de festas/almoços/jantares que calharam todos no mesmo fim-de-semana? Ou dizer que não vos apetece ir arrumar aquele casaco porque agora querem, simplesmente, descansar no sofá? A sociedade “corre-corre” dos dias de hoje parece ser alérgica à palavra “não” mas se ela existe no dicionário, é para ser usada de forma consciente para que possamos ser sinceros connosco e com os que nos rodeiam. Não é fácil. Passa por mudarmos a nossa mentalidade, em muitos casos, e conseguirmos dizer “basta” ou começarmos a delegar aquelas tarefas que não conseguimos concretizar. Dizer “não” irá tirar-vos um peso das vossas costas e ajudar-vos a ter mais tempo livre na vossa agenda e a conseguirem conciliar a vossa vida pessoal com o trabalho e estudo de uma forma mais positiva.
Como faço por aqui? A capacidade de dizer “não” tem-se vindo a afinar desde que o meu filho nasceu. Se antes trazia trabalho para casa e trabalhava horas fora para a faculdade, isso deixou de acontecer quando tive nos braços este pequeno baby boy que me preenche o coração de forma única. Não trabalho em casa quando ele está e nem após o jantar. Esse tempo é dedicado à família e à brincadeira e a descomprimir do dia atarefado. Tento aproveitar os tempos em que o meu filho e o meu marido dormem ou descansam (ou estão a brincar na rua como tanto gostam) para estudar um pouco e escrever aqui no blog. Requer alguma ginástica minha, é verdade, mas acreditem que é possível. Estou longe de ser uma super-mulher por isso vocês também conseguem!
3. Escrever
Não sei como é convosco, mas anotar e escrever algo sobre as tarefas todas que tenho para fazer, ajuda-me a sistematizar e a conseguir estabelecer melhor as prioridades. Preciso do papel e das canetas coloridas para organizar o meu tempo da melhor forma sem que nada falhe. Como funcionamos melhor num ambiente mais zen e com menos interferências, a melhor sugestão que vos dou é conhecerem-se um pouco melhor e descobrirem qual a forma que funciona melhor convosco. Se preferem ter uma app de produtividade (vejam, por exemplo, estas dez apps de produtividade sugeridas pelo site Ekonomista) em que vão registando as vossas tarefas com a indicação dos prazos que têm para cumprir ou se são como eu que preferem o papel. Se assim for, podem sempre utilizar diferentes cadernos e planners que podem encontrar em diversos locais e começarem a vossa organização pessoal (podem ver alguns dos meus planners neste post de planner freak) (vejam a selecção de planners e de agendas da FNAC, a variedade que podem encontrar na Stradivarius onde comprei alguns dos meus planners ou os planners mais giros do mundo da Mr. Wonderful).
Como faço por aqui? Apesar da primeira dica que partilhei convosco, em que utilizo uma agenda electrónica para partilhar com o meu marido as datas importantes, confesso que não uso nenhuma app para telemóvel. Funciono mesmo à antiga e tenho um planner em papel onde vou anotando todos os trabalhos que tenho para completar divididos por semana. Em complemento, tenho um caderno onde detalho as tarefas desses trabalhos para poder ir completando etapa a etapa, quase em modo gestão de projectos. Para o doutoramento, tenho um caderno à parte para registar, todos os dias em que trabalho na minha investigação, os pontos mais importantes do que vou desenvolvendo. Pode parecer muito mas por aqui funciona! Depois, passo essas datas mais importantes para o calendário partilhado com o marido e já está!
4. Descansar
Esta não é bem uma dica de organização pessoal mas acho fundamental falar no descanso num post em que escrevo sobre maternidade, trabalhar e estudar. Todos sabemos que ter filhos pequenos pode ser sinónimo da verdadeira e mais prolongada privação de sono! É normal os mais pequenos não dormirem a noite inteira, principalmente nas fases mais iniciais após o nascimento (o famoso quarto trimestre) em que o bebé se está ainda a habituar ao mundo fora da barriga que conheceu durante nove meses e em que, muitas de vocês, ainda poderão estar a amamentar em espaços curtos. É uma fase bastante exigente, tanto para vocês como para o casal, e todas as estratégias são bem-vindas para tornar esta etapa menos complicada. Tal como na dica 1 – Partilhar, sugeri-vos que não se esqueçam da vossa estrutura de apoio familiar e de amigos. Eles estão lá para nos ajudarem a ultrapassar as nossas dificuldades e não tenham vergonha de pedir ajuda. Não se fechem em vocês próprias e não deixem que os baby blues possam tomar conta dos vossos dias. Usem e abusem da “aldeia” à vossa volta para que nãos e deixem ir abaixo. Falem e partilhem as vossas dificuldades para que elas não se tornem paredes intransponíveis (podem, por exemplo, recorrer a grupos de grávidas e de pais, que estão a passar pelas mesmas dificuldades que vocês como este do Centro Mulher, Mãe & Filha – Site, Facebook – e de que podem usufruir através da parceria do blog). O crescimento da criança não é sinónimo de que possam ter mais tempo para descansar, por isso tentem sempre que o vosso dia tenha um tempo para vocês. Por exemplo, usar o vosso creme preferido depois do banho, dar uma caminhada até ao trabalho ou beberem um chá a contemplar o mundo pela janela de vossa casa ou do trabalho. Podem parecer coisas insignificantes mas vão ver que vão fazer maravilhas por vocês!
Como faço por aqui? Faço questão de, todos os dias, levantar-me um pouco antes do meu marido e do meu filho para poder desfrutar de um pequeno-almoço calmo, com a casa ainda em silêncio, e em que tenho um tempo só para mim. Faço o meu chá preferido, umas torradas bem quentinhas e posso ler um pouco o meu livro do momento (agora ando a ler este do Pedro Stretch, “Parentalidade Positiva”). Faço questão de ter sempre chá por perto quando estou a trabalhar,. seja verão ou inverno, porque me ajuda a organizar as ideias. Porque gosto também de organização mas com beleza, gosto de ter pequenos detalhes na minha secretária que a tornem mais pessoal (vejam alguns dos objectos que tenho na secretária do trabalho). Também gosto de fazer pequenos intervalos quando estou a escrever, seja em casa ou no trabalho, e aproveitar para olhar o céu. Em casa, o descanso após o jantar é sagrado e o sofá torna-se o melhor amigo da família. Podem parecer coisas insignificantes, mas são aquelas que me ajudam a manter o rumo e a não perder a energia e inspiração para tudo aquilo que tenho para fazer! 

Deixo-vos ainda, como sugestão de leitura sobre este tema do equilíbrio entre a vida profissional e a maternidade, o livro “Mães & Malabaristas” de Nora Rodríguez
Sinopse: Mães e Malabaristas não é apenas mais um livro que descreve as dificuldades de ser mãe e trabalhadora no século XXI; não encontrará aqui uma compilação de queixas sobre noites mal dormidas, chefes pouco compreensivos, consultas-relâmpago ao pediatra para não perder reuniões de trabalho urgentes ou outros exemplos dos obstáculos que enfrentam todas as mulheres que tentam conciliar a maternidade e a carreira profissional. Este é um livro sobretudo prático, direto e reivindicativo. Ao longo destas páginas, a autora denuncia e desmonta vários mitos sobre o papel social, laboral e familiar da mulher, e apresenta estratégias simples para que a maternidade não implique nem renunciar à ambição profissional nem passar as oito horas diárias de trabalhado a sentir-se culpada. Encontrará aqui conselhos que lhe permitirão ser mais proactiva, usar o «não» sem temor de ser julgada, e conhecer melhor todas as competências e capacidades que tem à sua disposição – incluindo a capacidade de conseguir uma maior participação masculina em casa e no trabalho! Este livro oferece ainda diversas propostas inovadoras a nível do parenting, que passam pela gestão do tempo e pela criação de laços afetivos sem comprometer a autonomia emocional da criança. Um livro inovador, provocante e, sobretudo, indispensável, para que todas participemos na criação de um novo modelo de desempenho profissional e familiar da mulher moderna.

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