Montessori

Tecnologia: é boa mas não precisa de estar connosco desde o berço!

Estamos no século XXI e eu sou uma mãe deste século. Estou em algumas redes sociais e escrevo aqui no blog, algo que seria impensável sem acesso à Internet e sem ter a tecnologia à distância de um clique. Faço muitas pesquisas, leio muito e sigo outros blogs e páginas do Facebook sobre Montessori e outros temas relacionados com os mais pequenos. Mas decidi dar como título a este post “tecnologia: é boa mas não precisa de estar connosco desde o berço”. Parecer-vos-á contraditório? Se calhar não mas já vou partilhar convosco o meu ponto de vista…
Quem começa a ler sobre Maria Montessori e a pedagogia por ela criada, rapidamente compreende que se tratava de alguém que se baseou na observação científica das crianças e que assentava a sua forma de estar junto delas baseada no respeito por cada um dos estádios de desenvolvimento e os seus interesses, promovendo o ganho de autonomia seguindo os sinais dados pela criança e não com base na imposição dos adultos. Maria Montessori afirmou, no seu livro “The Advanced Montessori Method”, que “o nosso cuidado com a criança deve ser guiado, não pelo desejo de a fazer aprender coisas, mas sim no esforço de acesa dentro dela a luz que é a inteligência“.
Olhando para muitas escolas Montessori pelo mundo fora, verifica-se que a tecnologia está afastada das suas salas, pelo menos até ao ensino primário, por forma a permitir o contacto com os livros e utilizando a Internet como último recurso para as actividades de todos os dias. Por exemplo, a Arbor Montessori School em Atlanta, Estados Unidos, defende que não utiliza tecnologia em sala de aula até aos 12 anos por entender que as crianças aprendem melhor com actividades concretas, realidade táctil e mundo tridimensional em vez de um mundo simulado de realidade virtual.  Pode parecer altamente contraditório este tipo de abordagem nos dias de hoje, não se pode ser excessivo na limitação no acesso à tencologia. Michelle Irinyi, tutora do North American Montessori Center, afirma que o principal ponto em que se deve apostar é no entusiamo que a criança demonstra no processo de pesquisa, em detrimento da forma de pesquisa que ela utiliza, permitindo-lhe o acesso a livros sempre que a sua pesquisa lhe mostra que necessita de outras fontes (para saber mais ver artigo Montessori and Technology: Internet Research).  
Mas será possível abolir por completo o uso da tecnologia quando se segue Montessori? Parece-me que essa não seria a melhor via de encarar a realidade actual ao seguirmos a pedagogia Montessori em nossa casa. É impossível dissociarmo-nos por completo da tecnologia e há que reconhecer que ela terá os seus benefícios, desde que encarada de uma forma que nos permita complementar o desenvolvimento de competências que fazemos nas actividades da vida de todos os dias. Maria Montessori questionava para que serviria a educação se não a utilizássemos para ganhar conhecimento do meio que nos rodeia e adaptarmo-nos a ele. É aqui que a tecnologia pode entrar mas sempre com peso e medida e nunca como factor de substituição do contacto com os objectos reais e as outras pessoas. A sua utilização deverá fazer sentido para a fase em que a criança se encontra e deverá ter significado associada, por exemplo, à vida prática, como descreve Ann Pilzner no artigo A true balacing act: Technology and the Montessori classroom publicado em Montessori rocks!). Segundo ela, a tecnologia pode ser usada em complemento a outras actividades, mas nunca como substituta de materiais ou de livros, peças fundamentais para Montessori. E Ann vai ainda mais longe, tal como escrevi logo no início do post: “Como um educador no século XXI, sinto que é minha responsabilidade preparar as crianças para que aquilo que elas irão encontrar no mundo real e, goste ou não, o mundo real funciona com tecnologia“.
No entanto, como pais e cuidadores, devemos fazer o nosso esforço para limitar a utilização de um excesso de tecnologia em casa, começando nós por dar o nosso exemplo aos mais pequenos, até por uma questão de saúde familiar. Há privilegiar a brincadeira e o estar em família sem a televisão ligada. Há que voltar às refeições em família, pinceladas com muita conversa e boas gargalhadas sobre o dia que passou e esquecer o telejornal a essa hora. Há que saber estar no sofá sem ser de costas quase voltadas e cada elemento da família agarrado ao seu tablet ou telemóvel ou jogo electrónico. Utilizar tecnologia sim mas quando ela é necessária e não quando se vai comer ao restaurante e ninguém fala à mesa porque está cada um na sua bolha virtual. Não podemos viver sem ela mas podemos impedi-la de nos abraçar como o polvo impedindo-nos de viver o que de melhor a vida tem!

E vocês? Como encaram a utilização da tecnologia em vossas casas?
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